Quase ninguém chega a um site institucional por acaso. A pessoa recebeu uma indicação, viu o nome da empresa numa proposta, pesquisou no Google ou perguntou a um assistente de IA quem faz aquele serviço na região. Ela chega para confirmar: essa empresa existe, faz o que diz e é fácil de contatar?
Por isso eu trato o site institucional como um documento de referência, não como um folheto. Ele não precisa impressionar em cinco segundos; precisa responder bem às perguntas que alguém faz antes de confiar em você. Neste texto, explico como penso essa estrutura quando desenho e desenvolvo um site desse tipo.
Institucional não é landing page
A confusão mais comum é tentar fazer as duas coisas numa página só. Uma landing page tem uma oferta e um objetivo. Um site institucional apresenta a empresa inteira e precisa servir a visitantes com intenções diferentes.
| Landing page | Site institucional | |
|---|---|---|
| Objetivo | Uma ação sobre uma oferta | Apresentar a empresa e seus serviços |
| Quem visita | Quem veio de uma campanha ou busca específica | Cliente, parceiro, fornecedor, candidato |
| Estrutura | Uma página, um caminho | Várias páginas, navegação clara |
| Prazo típico comigo | 5 a 10 dias úteis | 2 a 4 semanas |
Se o que você precisa agora é converter uma campanha, o texto sobre landing pages que convertem vai ser mais útil. Daqui em diante, falo do site que representa a empresa.
As páginas que quase toda empresa precisa
Não existe um número certo de páginas, mas existe um conjunto mínimo de perguntas. Cada página responde a uma delas.
- Início: o que a empresa faz, para quem e onde, em uma ou duas frases, sem slogan. Logo abaixo, os caminhos principais: serviços, trabalhos, contato.
- Serviços: uma página por serviço quando eles atendem públicos ou problemas diferentes. É onde a decisão de contato costuma acontecer, e por isso escrevi um texto só sobre ela: página de serviços que gera contato.
- Sobre: quem está por trás, há quanto tempo, como trabalha. Pessoas contratam pessoas. Uma foto real e um parágrafo honesto fazem mais do que um bloco genérico de missão, visão e valores.
- Projetos ou casos: o que foi feito, para que tipo de cliente, qual era o problema. Contexto vale mais do que uma parede de logos.
- Contato: canais que alguém de fato responde e o que esperar depois de enviar uma mensagem.
Um blog ou área de conteúdo entra quando existe algo para dizer com regularidade. Ele muda o escopo — um site com blog costuma levar de 4 a 6 semanas — e só vale a pena se alguém vai alimentá-lo depois.
Sinais de confiança que não dependem de design
Design bem feito ajuda, mas confiança vem principalmente de informação verificável. Antes de pensar em efeitos visuais, confira se o site mostra:
- razão social e CNPJ, quando fazem sentido para o tipo de negócio;
- cidade e região atendida, escritas por extenso;
- telefone, e-mail e WhatsApp iguais aos do perfil no Google, das redes sociais e dos documentos;
- fotos reais do trabalho, das pessoas ou do espaço, em vez de banco de imagens;
- datas visíveis em conteúdos que envelhecem, como notícias e artigos.
O contrário também vale. Números que ninguém consegue verificar, depoimentos sem nome e "referência no mercado" sem contexto enfraquecem o resto da página, e quem chegou para confirmar percebe. A forma de escrever tudo isso sem cair em frases vazias está em copy para sites de serviços.
A base técnica que ninguém vê
Um site institucional é lido por pessoas e por máquinas. Buscadores e assistentes de IA precisam entender as mesmas coisas que o visitante: quem é a empresa, o que oferece, onde atua. Por isso a parte invisível importa tanto quanto a visível:
- título e descrição únicos em cada página;
- uma hierarquia de títulos que faça sentido quando lida em sequência;
sitemap.xmlerobots.txtcorretos;- dados estruturados de organização (
Organization, do schema.org) com nome, logo, site oficial e perfis; - páginas rápidas e legíveis no celular, que é onde muita gente vai abrir o link que você mandou por mensagem.
Hoje eu também incluo uma camada pensada para agentes de IA, com llms.txt e versões em markdown das páginas principais. A lista completa do que verifico está no checklist de site pronto para agentes.
Quem é dono do quê
Essa pergunta costuma aparecer só quando dá problema: o fornecedor sumiu, o domínio venceu no nome de outra pessoa, ninguém sabe a senha da hospedagem. Vale resolver antes de começar.
Nos projetos que faço, domínio, hospedagem, repositório do código e credenciais ficam no nome da empresa cliente, com documentação dos acessos. O conteúdo fica num CMS simples ou em arquivos que eu mostro como editar, conforme o projeto. Assim, trocar um telefone ou publicar uma página nova não depende de mim, e mudanças maiores continuam possíveis quando fizerem sentido.
Se você está avaliando qualquer fornecedor, faça essa pergunta por escrito. A resposta diz muito sobre como o projeto vai ser conduzido.
Por onde começar
Antes de pensar em layout, escreva respostas curtas para cinco perguntas: o que a empresa faz, para quem, onde, quais serviços oferece e como alguém entra em contato. Se alguma resposta demora a sair, é ali que o site vai precisar de mais trabalho, e é um ótimo ponto de partida para um briefing.
Se quiser, me mande essas respostas pela página de contato e eu devolvo as perguntas que faltam.
Referências
- Nielsen Norman Group: Top 10 Guidelines for Homepage Usability — por que a página inicial precisa deixar claro quem é a empresa e o que ela faz.
- Google Search Central: guia de introdução ao SEO — fundamentos de estrutura, navegação e conteúdo compreensível.
- Schema.org: Organization — propriedades para identificar a empresa em dados estruturados.